"Não existe medicina alternativa, existe medicina baseada na evidência", afirmou o doutorando em FÃsica de PartÃculas Manuel Rosa Martins.
Orador convidado no segundo encontro da Comunidade Céptica Portuguesa (Comcept), que decorreu hoje na Nazaré, Manuel Rosa Martins clarificou que a fÃsica quântica dá "um grande contributo para ciência médica", sobretudo ao nÃvel da imagiologia, mas alertou que "as palavras 'terapia', 'cura' e 'quântica' juntas na mesma frase são sinónimo de vigarice".
O fÃsico comparou as promessas de cura através das medicinas alternativas com "atirar um frasco de mel para oceano e dizer que a água é salgada" e defendeu que aquelas passem a ser chamadas de "medicinas de alterne" por "prostituÃrem"a palavra quântica ao "prometerem uma cura com energias que não conseguem medir".
A posição foi defendida perante a plateia de cépticos que participaram no segundo encontro da Comcept, uma comunidade fundada em Abril de 2012 para "promover o pensamento crÃtico" e desmistificar "informações pseudocientÃficas que são postas a circular e que não têm qualquer fundamento", disse à Lusa Diana Barbosa, co-fundadora do movimento.
Ao quÃmico Paulo Ribeiro Claro coube desmistificar "a má fama" dos produtos quÃmicos, olhados pela maioria dos consumidores como nefastos, quando "da água à s plantas, toda a natureza tem elementos quÃmicos".
O ácido salicÃlico "é conhecido desde a Antiguidade como anti-inflamatório e bom analgésico e existe na casca do salgueiro". Porém, alertou, "se usado apenas como existe na casca do salgueiro dá cabo do estômago", mas se lhe for adicionado "um composto quÃmico, trata a dor sem esse efeito secundário".
"Temos que ter algum cepticismo em relação a tudo o que nos tentam vender como sendo bom ou sendo mau", alertou, exemplificando com "as primeiras versões de descafeinação do café" feitas com recurso a "lavagem com solventes orgânicos cujos resÃduos eram difÃceis de eliminar".
O quÃmico defendeu ainda que os "temidos 'E'" dos rótulos de produtos alimentares (como os emulsionantes) não passam de "produtos corriqueiros usados no dia-a-dia como ácidos cÃtrico ou corantes", que os malefÃcios dos alimentos geneticamente modificados "não estão provados" e que "o gás é mais perigoso do que o micro-ondas".
Os 'mitos versus evidências cientÃficas' aflorados no encontro passaram ainda desde o bosão de Higgs à possibilidade de terem sido exageradas as medições da onda surfada na Nazaré pelo havaiano Garrett Macnamara (detentor do record da maior onda do mundo).
Até ao próximo encontro os cépticos prometem desmascarar fraudes no seu sÃtio da Internet, além de premiarem com o galardão "Unicórnio voador" aqueles que contribuem para "a disseminação da pseudociência, da superstição e da desinformação".
Lusa/SOL
http://sol.sapo.pt/inicio/Vida/Interior.aspx?content_id=91220
